O carnaval é a maior festa popular do Brasil, mas o que muitas vezes passa despercebido é o lado artístico da folia e a sua origem, mais artística ainda. Só que, como é carnaval e também é feriado, a pessoa que vos fala encontra-se em recesso. Portanto o texto a seguir não é de minha autoria, mas não deixa de ser extremamente interessante e instrutivo! Também selecionei alguns enredos das escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro e de São Paulo que têm alguma referência artística.
É isso aí, pessoal! Bom Carnaval pra todo mundo, e até a volta! ;D

O Carnaval do Arlequim de Joan Miró

Carnaval em Madureira de Tarsila do Amaral
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Carnaval é arte?
O carnaval é, como creio que a maioria já sabe, uma festa de origem pagã e a maior festa popular do Brasil. Acontece, segundo o calendário cristão, entre o Dia de Reis (A epifania, em 06 de janeiro) e a Quaresma (quarenta dias antes da Páscoa), durante quatro dias, e termina na quarta-feira de cinzas.
Dito assim, parece não esclarecer nada, não é? É que o carnaval, apesar de ser uma festa tradicional cristã, não tem uma data segundo o calendário gregoriano, que nós usamos/conhecemos, mas sim é regido pelo ano lunar, com origens nas tradições da antiguidade, resgatadas pelo cristianismo, em seus primórdios, das tradições pagãs.
Segundo os estudiosos do tema, o carnaval tem o significado de “adeus à carne” ou “carne nada vale” (que deu origem a própria palavra carnaval), tendo um sentido profundamente místico de desapego ao material ao corpo, sendo semelhante, em muitos aspectos, aos bacanais romanos.
O carnaval como conhecemos hoje em dia tem origem na Era vitoriana, lá pelos idos do século XIX, entre Paris (FR) e Veneza (IT). No Brasil o carnaval chegou por meio do “entrudo” português, onde, segundo as tradições portuguesas, as pessoas se sujavam, umas às outras, com ovos, água e farinha. Como o entrudo acontecia num período anterior a quaresma e tinha um significado ligado à liberdade, este sentido permanece até os dias de hoje no nosso carnaval. O entrudo chegou ao Brasil por volta do século XVII e, naturalmente, trazia influências das festas carnavalescas da Europa.
No final do século XIX os primeiros blocos carnavalescos são vistos no Brasil, mas é no início do século XX que os “desfiles” começam. Inicialmente, em carros particulares de passeio, as pessoas se fantasiavam e saíam às ruas para se divertir. Alguns historiadores creditam a isso o surgimento dos carros alegóricos.
Também no início do século XX acontece o surgimento das “marchinhas”, que são músicas de espírito brincalhão, repetidas pelo povo na alegria e brincadeira de rua. Com o surgimento da escola de samba Deixa Falar, que posteriormente se tornou a Estácio de Sá, o carnaval passa a assumir o formato tem hoje, de desfile de escolas de samba, mega-evento carioca, famoso em todo o mundo e que já tem em Sâo Paulo uma “derivação” de formato. Pois, no norte e nordeste do Brasil permanecem algumas das tradições portuguesas que, com influências indígenas, africanas (na Bahia, por exemplo) e de outras culturas, foi tomando outros formatos, já consagrados pelo gosto popular brasileiro.
No aspecto cultural o tema carnaval é, sem dúvida, um oportunidade ímpar de desenvolvimento de trabalho e/ou estudo arte-educacional. Basta ver o número de teses que existem sobre cultura e arte popular, escolas de samba e carnaval nas universidades brasileiras. O trabalho educacional de alguns projetos desenvolvidos em torno das comunidades das escolas de samba também é exemplo de utilização positiva do tema em arte-educação.
O carnaval ainda escancara a capacidade e produção artística popular do povo brasileiro e explicita a existência da educação não-formal no espaço carnavalesco, bem como auxilia a construção de identidade artístico-cultural do povo brasileiro. Isso tudo sem nem mencionar o grande teatro que é, em essência, o carnaval! Um dos mais respeitados artistas da Pop Art, o inglês Richard Hamilton, destacou as qualidades que considera ideais para que uma obra de arte possa pertencer à atualidade: transitoriedade, popularidade, sensualidade, humor, glamour, esperteza, jovialidade, produto de massa, e alta rentabilidade financeira (RICHARDS, Hamilton - Pop Art in Concepts of Modern Art. Londres). Será que ainda resta alguma dúvida sobre a questão do Carnaval ser ou não arte?
(Fonte: http://aguarras.com.br/2007/02/11/carnaval-e-arte/)
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Arte na Avenida: Enredos artísticos que as escolas de samba do grupo especial levam pra avenida esse ano
É interessante lembrar toda a pesquisa histórica e artística feita por alguns carnavalescos para dar forma ao enredo e manter a fidelidade ao tema desenvolvido. Os carnavalescos são verdadeiros pesquisadores, historiadores e designers da avenida.
Rio de Janeiro
Grande-Rio - Ano da França no Brasil
Padre Miguel - Machado de Assis e Guimarães Rosa, estrelas em poesia
Vila Isabel - Theatro Municial do Rio de Janeiro
Porto da Pedra - Criações e Invenções
São Paulo
Peruche - Jóias Raras
Vila Maria - História do Dinheiro
Tucuruvi - História de Ouro Preto
Pérola Negra - Cultura Indiana
"Se o amor é fantasia, eu me encontro ultimamente em pleno carnaval."
(Vinícius de Moraes)
Democráticas, descontraídas, informais e muito instrutivas, presando sempre pela troca de conhecimento e diversidade de idéias. Não é à toa que a demanda por escolas que oferecem cursos livres de arte e cultura tem crescido tanto nos últimos anos. Para os apaixonados por arte, ou mesmo pra quem quer dar uma enriquecida no curriculum, não há lugar melhor.
Essas escolas são verdadeiras casas do saber, com ambientes descontraídos e fortes estímulos à percepção artística, promovem um saber sem dogmas, contrastante com os cursos regulares de graduação e pós-graduação. Os cursos, em sua maioria, são de curta ou média duração, variando de um a seis meses. São normalmente ministrados por professores e ex-professores de grandes universidades brasileiras e trazem sempre temas atuais e assuntos que levam a uma profunda reflexão sobre a arte, a cultura e o mundo contemporâneo como um todo. Existem ainda os cursos de longa duração, que já possuem caráter profissionalizante (como é o caso de alguns cursos de cinema e moda), e os cursos intensivos de férias que variam de um dia a duas semanas.
A melhor parte é que qualquer pessoa pode fazer sua inscrição e participar das aulas, mesmo sem ter qualquer conhecimento prévio sobre o assunto a ser estudado. A má notícia é que o preço dos cursos não costuma ser lá muito atrativo, variando de acordo com a duração e tipo de experiência. Ainda assim, existem, em alguns casos, aulas experimentais avulsas e projetos gratuitos, além de descontos para quem já é aluno.
Ficou interessado? Então veja onde encontrar seu curso livre:
Escola São Paulo
Oferece cursos de curta, média e longa duração nas áreas de arte, arquitetura, cenografia, cinema, colecionismo, comunicação, crítica, decoração, degustação de vinhos, desenho, design, direção de arte, escultura, estamparia, exposições, filosofia, fotografia, grafite, história da arte, ilustração, literatura, make-up, marketing, moda, música eletrônica, novas mídias, pensamento contemporâneo, pintura, processo criativo, produção de cinema, roteiro, styling, teatro, video e vitrinismo, além de uma rica biblioteca aberta ao público em geral.
Casa do Saber
Um centro de debates e disseminação do conhecimento, que oferece cursos livres, palestras e oficinas de estudo nas áreas de artes plásticas, ciências sociais, cinema, filosofia, história, música e psicologia, reunindo renomados professores e conferencistas.
http://www.casadosaber.com.br/
Augôsto Augusta Cultural
Um espaço aberto para quem ama (e quer saber mais sobre) arte. Livraria, galeria informal e núcleo de reflexão sobre arte e cultura, complementa essa experiência cultural com uma agenda semestral de cursos de arte, música, teatro, cinema, literatura e filosofia.
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."
(Fernando Pessoa)

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